A Origem do Kenpo

“A origem exacta do Kenpo acabou por se perder ao longo dos tempos, e consequentemente não existe uma data definida que indique o seu começo. Muitos dos registos que existem hoje são vagos e incorrectos. Não se sabe ao certo quantos manuscritos foram destruídos ou quantos aperfeiçoamentos nunca foram registados. Pedaços de informação parecem indicar que o Kenpo, como é conhecido hoje, possa ter sido praticado na índia e na China até há cerca de 5000 anos atrás. Textos em conchas de tartaruga dizem-nos que os Chineses praticavam de facto a Arte por volta de 21 a.C.

Embora a sua verdadeira origem seja incerta, uma historia popular que ainda prevalece nos dias de hoje dá crédito ao sacerdote Indiano, Daruma ou Bodhidharma em 525 d.C. No entanto, outros grandes homens como Hu’a To (190 – 265 d.C.), um brilhante doutor, e Yeun Fei, um popular general (que viveram durante a Dinastia Sung 960 – 1279 d.C.) são considerados os antepassados do Kenpo moderno. Kenpo significa “lei do punho” (um termo usado pelas gentes de Okinawa para descrever os sistemas Chineses). Da China, o Kenpo transitou para Okinawa onde, conhecido como “te”, consistia primariamente de murros, cutiladas e lacerações com as mãos e dedos. Assim começou o método Karaté do Kenpo.

Em 1923 em Okinawa mudou-se a essência do Karaté, que tinha sido até então Chinesa, para a Japonesa. O significado mudou então de “mãos da China” para “mãos vazias”. Esta mudança trouxe seguramente um significado mais profundo no qual o espírito supera o físico.

De Okinawa, dois peritos, Kenwa Mabuni e Gichin Funakoshi, levantaram o “véu de secretismo” em 1915 de forma a introduzir as suas técnicas no Japão. O seu objectivo era promover o Karaté pelo Japão, não como uma Arte Marcial, mas como um desporto.

Muito antes de a Arte ter sido introduzida em Okinawa, muitos estilos existiam na China. Cada estilo ou sistema era caracterizado por pelo menos um feito distinto, como o desenvolvimento da “garra do tigre”, “pontapé borboleta”, “murro da pantera”, etc. Consequentemente, muitos dos vários sistemas protegeram os seus meios secretos de treino. De entre os sistemas da China do Sul que resultaram os Templo de Shaolin ou Shorinji, os mais bem conhecidos foram os seguintes quatro: Hung Liu, Ts’ai ou Choy em Cantonês, Li e Mo. Há outros sistemas Cantoneses assim como os do Norte. Os sistemas do Norte deram mais ênfase às quedas, uso dos pés, e movimentos em salto. Por causa disto, não foi dada muita importância às posições fixas. Os estilos do Sul deram mais importância às posições fixas assim como ao trabalho de mãos.

Basicamente, existem cinco estilos conhecidos de Karaté em Okinawa: Kobayashi-Ryu, Shoreiji-Ryu, Shito-Ryu, Goju-Ryu e Uechi-Ryu.

Nas últimas cinco décadas desde que os Japoneses adoptaram o Karaté, as técnicas têm sido modificadas pelo que também eles reclamam estilos seus, como: Shoto-Kan, Wado-Ryu, Chito-Ryu, e outros.

Os Coreanos também modificaram as suas técnicas dando origem a estilos como: Tae-kwon-do, Moo-do-kwon, Tang-soo-do, e outros.

Independentemente das modificações a nível nacional que foram feitas, poder-se-á dizer que quatro sistemas existem hoje no Oriente – Chinês, o de Okinawa, Coreano e Japonês.

Em comparação, os estilos Chineses são graciosos, fluidos, circulares e são muito mais flexíveis do que os estilos Japoneses (que utilizam poderosos murros e pontapés), os estilos de Okinawa (que se centram em exercícios de respiração), e Coreanos (que se especializam em pontapés altos e na quebra de tábuas e tijolos). Estes estilos são basicamente rígidos.

Infelizmente, muitos dos estilos Chineses clássicos juntamente com os estilos Japoneses, de Okinawa e Coreanos são impraticáveis como método de autodefesa. Isto resulta do facto de muitos destes sistemas terem sido originalmente concebidos como exercícios. Para mais, a maioria destes estilos hoje não reconhecem a necessidade de mudança, especialmente no nosso ambiente. Enquanto que uns oferecem ideias no combate desarmado, grande parte dos seus métodos são teorias ultrapassadas, desajustadas à “luta” moderna nos Estados Unidos ou até em qualquer outra parte do mundo.

Estas mesmas Artes, influenciadas pelos Chineses, foram trazidas para as Ilhas Hawaiianas, Foi lá que Mr. Parker, um nativo do Hawaii, aprendeu estas Artes de um dos detentores mundiais de Cinturão Negro e inovadores americanos de Arte, o falecido Professor William K.S. Chow.

Juntamente com as modificações do Professor Chow, Mr. Parker também se apercebeu da necessidade de rever os métodos antigos de forma a lidar com os estilos modernos. Assim o sistema que ele criou é único, realista, aplicável e junta a lógica, o raciocínio e a inovações teóricas ainda não empregues por outros sistemas. Através das inovações de Mr. Parker, um quinto sistema surgiu – o Sistema Americano – para ser mais específico, O Sistema de Kenpo de Parker.”